Domingo, 13 de setembro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Revista Piloto Ribeirão
Ground Handling

Abesata defende segurança contratual para avanço dos padrões globais de operações em solo

Durante seminário da IATA, presidente da entidade alerta que contratos que podem ser encerrados sem justificativa e com apenas 60 dias de antecedência dificultam investimentos em equipamentos, treinamento e renovação de frota.

Quatro participantes sentados em cadeiras durante um painel sobre desafios e oportunidades do setor aeroportuário no Brasil, com uma apresentação projetada ao fundo e um banner de patrocinadores ao lado.

Foto: Da esquerda pra direita: Tadeu Neves, Deberth Nascimento, Tiago Bonvini e Michelly Biganzolli representantes de GRU AirPort, AENA, ABR e MTA (Créditos: Abesata)

A adoção de padrões internacionais para aumentar a segurança e reduzir acidentes e incidentes nas operações em solo precisa vir acompanhada, no Brasil, de uma revisão das relações contratuais entre empresas de ground handling, companhias aéreas e administradores aeroportuários. O alerta foi feito pelo presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares ao Transporte Aéreo (Abesata), Ricardo Aparecido Miguel, durante o Seminário de Operações em Solo e ISAGO, promovido nesta quinta-feira (27) pela Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA), em São Paulo.

Segundo Miguel, o setor brasileiro convive hoje com contratos que podem ser encerrados a qualquer momento, sem necessidade de justificativa e com aviso de apenas 60 dias. Na avaliação do presidente da Abesata, esse modelo gera insegurança para as empresas prestadoras de serviços em solo e compromete sua capacidade de realizar investimentos de longo prazo.

De nada adianta motivarmos o país a abraçar todas essas mudanças se temos antes um problema maior para resolver. Como uma empresa vai investir na renovação da frota de equipamentos, em novas tecnologias e no treinamento das equipes sem ter segurança sobre a continuidade de seus contratos?

questionou Miguel

Para o presidente da Abesata, antes de ampliar a atuação do Estado na fiscalização dos impactos das operações de ground handling sobre a segurança operacional, é necessário rever as bases contratuais do setor. Ele defende a retomada de contratos alinhados ao modelo da IATA, como já ocorreu no passado, proporcionando maior previsibilidade às relações entre prestadores de serviços, companhias aéreas e aeroportos.

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ICAO propõe padrões globais

O tema ganhou relevância durante o seminário diante da proposta apresentada pela ICAO (Organização Internacional de Aviação Civil) para estabelecer boas práticas, padrões e procedimentos de ground handling aplicáveis internacionalmente.

A primeira fase do processo relacionado ao Anexo 14 começa em novembro deste ano e envolve empresas de ground handling e companhias aéreas. Dentro de dois anos, a iniciativa deverá alcançar também aeroportos.

Durante o encontro, Jighi-Nse Floyd Abang, Assistant Manager Ground Operations Leads da IATA, afirmou que somente os danos causados a aeronaves poderão representar perdas de US$ 10 bilhões até 2030 em acidentes e incidentes que poderiam ser evitados. O impacto das operações envolve ainda ocorrências como danos a motores, quedas de alturas elevadas, acidentes com trabalhadores e danos ocupacionais.

Na visão da ICAO, os Estados também devem participar desse processo, acompanhando regularmente o impacto das operações de ground handling sobre a segurança operacional, com coleta de dados e verificação de acidentes e incidentes, conforme explicou Rodrigo Otávio Ribeiro, Regional Officer, Aerodrome e Ground Aids da IATA, com sede em Lima, Peru.

Experiência brasileira

Convidado pela IATA para apresentar a experiência brasileira de autorregulação do setor de ground handling, Ricardo Miguel falou sobre o CRES (Certificado de Regularidade das Empresas de Solo), sistema implantado no Brasil e que já se tornou conhecido internacionalmente.

O CRES surgiu como uma resposta do próprio mercado à necessidade de elevar o nível de profissionalização do setor e reduzir a presença de empresas sem estrutura adequada para prestar serviços em solo. Atualmente, 85% dos serviços em solo no Brasil são realizados por empresas certificadas pelo CRES.

Miguel ressaltou que o certificado não concorre com o ISAGO (IATA Safety Audit for Ground Operations). Ao contrário, empresas que possuem a certificação da IATA recebem pontuação adicional no processo de obtenção do CRES, justamente como forma de estimular a adoção das duas validações.

A autorregulação mostrou que o próprio setor pode criar mecanismos capazes de elevar o padrão das operações. O próximo passo é assegurar que as empresas que fazem esses investimentos tenham também condições contratuais para continuar investindo.

afirmou Miguel

Realizado na sede da GOL, em São Paulo, o Seminário de Operações em Solo e ISAGO reuniu companhias aéreas, empresas de ground handling, administradores aeroportuários, especialistas e lideranças da aviação para discutir segurança, eficiência, padronização e colaboração nas operações em solo. O encontro foi realizado em colaboração com a GOL Linhas Aéreas, a Abesata e a MTA – Quality and Training.

Sobre a Abesata

A Abesata (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares ao Transporte Aéreo) representa as empresas responsáveis pelos serviços de apoio às operações aeroportuárias e aeronáuticas no Brasil. Fundada em 2013, a entidade reúne companhias que atuam em áreas como atendimento a aeronaves em solo (rampa), transporte terrestre de passageiros e tripulantes, movimentação de cargas, limpeza e desinfecção de aeronaves, segurança contra atos de terrorismo, entre outros serviços indispensáveis para o funcionamento seguro e eficiente do transporte aéreo.

As empresas associadas à Abesata são responsáveis por uma parte significativa das operações em solo em todo o país, atendendo tanto companhias aéreas nacionais e internacionais quanto administrações aeroportuárias.

Fonte: Abesata

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