Na logística aérea, perder dados pode ser tão grave quanto perder a carga

Por Gustavo Verza Picolli, especialista em tecnologia aplicada à logística aérea e sócio-diretor financeiro e de TI da Caxias Cargas Aéreas Ltda.

Atualizado em 19/06/2026 às 12:06, por Adriano Moura Buzeli.

Vista panorâmica de um aeroporto internacional ao entardecer, com o pátio de cargas e passageiros iluminado. Em primeiro plano, um cargueiro de fuselagem larga está estacionado enquanto contêineres e pallets são carregados por equipamentos de solo. Diversos veículos de apoio circulam pela área, e funcionários trabalham próximos à aeronave. Ao fundo, a torre de controle se destaca junto ao terminal, onde outras aeronaves estão estacionadas nos portões. No céu com tons alaranjados e azulados do pôr do sol, um avião de passageiros decola, completando a movimentada cena aeroportuária.

Foto: Aeronave sendo carregada de carga - Imagem gerada por I.A  (Créditos: Gemini)

A logística aérea é, por definição, uma operação baseada em velocidade e precisão. Quando uma carga embarca em um aeroporto, dezenas de sistemas passam a trocar dados simultaneamente entre companhias aéreas, operadores logísticos, terminais de carga, agentes de carga, clientes, órgãos alfandegários e equipes de transporte terrestre. Em muitos casos, a informação precisa chegar antes mesmo da mercadoria.

/apidata/imgcache/6cb2de39a17846c429b8d08259afce72.webp?banner=postmiddle&when=1784286203&who=22

Essa realidade transformou a rastreabilidade em um dos ativos mais importantes da logística moderna. Hoje, empresas conseguem acompanhar remessas em tempo real, identificar atrasos rapidamente, antecipar problemas operacionais e fornecer informações precisas aos clientes. O resultado é uma cadeia de suprimentos mais eficiente, previsível e integrada. Mas existe um ponto que nem sempre recebe a mesma atenção: quanto mais conectada se torna a operação logística, mais vulnerável ela também fica a ataques cibernéticos.

Durante muito tempo, os riscos na logística aérea estavam concentrados em fatores físicos, como atrasos, avarias, extravios ou condições climáticas adversas. Hoje, uma invasão digital pode gerar impactos tão severos quanto qualquer problema operacional.

Os TMS com integrações com ERP utilizados pelo setor armazenam informações estratégicas sobre localização de cargas, rotas, clientes, volumes transportados, horários de embarque e desembarque, além de dados comerciais sensíveis. Não por acaso, esses ambientes passaram a despertar o interesse crescente de criminosos virtuais. Entre os ataques mais frequentes está o phishing, em que colaboradores são induzidos a fornecer credenciais de acesso por meio de mensagens fraudulentas. Um simples clique em um link falso pode abrir portas para invasões capazes de comprometer sistemas inteiros.

/apidata/imgcache/82f987f3939054a6d9fc18ca763064bf.webp?banner=postmiddle&when=1784286203&who=22

Outro risco relevante é o ransomware, modalidade em que criminosos sequestram dados corporativos por meio de criptografia e exigem pagamento para liberar o acesso. Em uma operação aérea, isso pode significar perda temporária da visibilidade das cargas, paralisação de processos críticos, falhas de comunicação e atrasos que impactam toda a cadeia logística.

Também merecem atenção os ataques de negação de serviço distribuída, conhecidos como DDoS. Nesses casos, servidores são sobrecarregados por um grande volume de acessos falsos, tornando sistemas indisponíveis. Quando plataformas de monitoramento ficam fora do ar, a capacidade de acompanhar embarques e responder rapidamente a ocorrências é comprometida.

O desafio do setor torna-se ainda maior porque a logística aérea depende de uma extensa rede de integração entre diferentes organizações. Transportadoras, companhias aéreas, aeroportos, operadores logísticos e autoridades governamentais precisam compartilhar informações constantemente. Quanto maior o número de sistemas conectados e usuários autorizados, maior também a necessidade de controles rigorosos de acesso e proteção de dados. Nesse cenário, a segurança da informação passou a fazer parte da estratégia operacional das empresas.

Ferramentas de criptografia, como o protocolo TLS (Transport Layer Security), tornaram-se fundamentais para garantir que informações sensíveis sejam transmitidas de forma segura entre diferentes sistemas. Ao mesmo tempo, legislações como a LGPD ampliaram a responsabilidade das organizações sobre a proteção dos dados compartilhados ao longo da cadeia logística.

Mas talvez o maior risco seja aquele que muitas empresas não enxergam. Nem todo ataque busca interromper operações ou exigir resgates financeiros. Informações estratégicas podem ser capturadas silenciosamente e comercializadas para terceiros ou concorrentes, favorecendo práticas de espionagem corporativa sem que a empresa sequer perceba que foi vítima de uma invasão. Ou seja, o futuro da proteção digital na logística aérea passa, cada vez mais, pela inteligência artificial. Soluções capazes de identificar comportamentos anormais, detectar tentativas de fraude, reconhecer acessos suspeitos e responder automaticamente a incidentes já começam a ganhar espaço no setor e tendem a se tornar padrão nos próximos anos.

A logística aérea continuará avançando em velocidade, integração e conectividade, isso é inevitável. O que não pode ser inevitável é a exposição das operações a riscos que poderiam ser prevenidos, pois, perder acesso aos dados pode ser tão prejudicial quanto perder a própria carga.

 

Gustavo Verza Picolli (Créditos: Arquivo Pessoal)



Fonte: Assessoria de Imprensa da Caxias Cargas Aéreas Ltda

Receba essa e outras notícias em seu celular, clique para acessar o canal PILOTO RIBEIRÃO no youtube

Siga nosso perfil no Instagram, Facebook, Twitter (X) , LinkedinBlueSky e conheça também nossos canais de transmissão no Instagram , Whats app

Conheça também nossas outras mídia